terça-feira, 6 de novembro de 2012

full of nothing

Hoje mesmo, mais cedo, meu pai falou sobre eu estar preenchendo o vazio ao qual minha mente se encontra apenas com diversão, e que "Diversão não é exatamente a plenitude que preenche o vazio!!!", ele chegou até a citar o Pinóquio e a Terra dos Burros, pra dar enfase na questão de diversão não ser a saída. Eu sempre tento explicar a ele um pouco melhor sobre como me sinto, e dessa vez foi a vez de explicar o quão vazia as coisas são, e o quão difícil é tentar preenche-las, e principalmente mostrando que a tal diversão não é minha unica tentativa de escape. Confesso que tento preencher o vazio que sinto com diversão, sim! Mas também busco ter conversas inteligentes, de acordo com o meu limite claro. Tento preencher o vazio com aulas, me arrisco em livros, mesmo sem ter contado ao meu pai sobre a minha pequena dificuldade nessa questão, mas também tento  ler revistas, das interessantes até as mais recheadas de nada. Tento preencher o vazio fazendo algo que eu habitualmente não faria, também me esforço muito tentando ajudar os outros, entende-los, buscando todos os pontos de vista possíveis para que seja o melhor conselho possível, mesmo sabendo que eles jamais fariam o mesmo por mim. Às vezes tento até me entender, saber o que eu quero da minha vida, e realmente tentar fazer algo com isso, mas é nesse momento que minha luta interna começa, minha mente brigando contra si, o que faz com que eu me sinta extremamente estranha, porque essas "lutas" são frequentes demais. 

Um outro momento complicado é quanto tento preencher o vazio lutando contra o vazio, contra esse lado que me faz sentir vazia, essa coisa toda que me coloca terrivelmente para baixo. Busco muitas vezes sustento para preencher o vazio com a Cecília e seu ar infantil que geralmente trás alegria por ver bondade e felicidade em coisas simples,  algumas vezes tento isso com a minha mãe - na maioria das vezes alguma briga acontece. E aí vem eu tentando  preencher alguma parte desse vazio pensando se a Alice tomou uma boa decisão quando resolveu ir embora, ou o quão bom deve ser para meu pai estar trabalhando, mesmo que isso custe a ele muito mais do que recebe, como ficar longe de suas filhas, e de sua mulher. Tento preencher o vazio, também tentando, aceitar que eu estou longe de pessoas que eu amo, e definitivamente não foi por vontade própria mas de terceiros pra variar, por existir um motivo maior para tudo isso. Cada dia vou tentando superar essas situações fazendo coisas mil coisas para preencher esse vazio. Vazio de amigos, colegas, conhecidos. Tento preencher o vazio escrevendo, seja sobre mim, sobre os outros, ou qualquer tipo de fantasia. Por menos vazio que pareço, tento preencher o vazio tentando conhecer novas pessoas, e situações, ou tentando imaginar que meus problemas não são quase nada comparado aos problemas das outras pessoas. 

Mais uma vez me vejo tentando preencher o meu vazio, pesquisando sobre a situação dessas pessoas, as quais eu tentei pensar antes para preencher, e vejo que realmente algumas situações são bem devastadoras, outras fúteis, mas afinal quem sou eu pra julgar? Muita gente se soubesse como me sinto, também poderia dizer que sou uma pessoa fútil, que nunca passou por uma situação ruim, ou extrema, para estar reclamando mas a questão é que eu não sou outra pessoa, e os meus problemas são um fardo pra mim, assim como cada um sabe sobre a própria dificuldade, e força. Tudo que não tentei foi um emprego, o que meu pai espera ansiosamente que eu consiga, ele define minha situação como "mente vazia, oficina do diabo". O que não deixa de ser uma verdade, e eu tenho dezoito anos, estou na faculdade, realmente tenho que começar a pensar no futuro, e essas coisas. Mas vamos lá: Um trabalho vai ocupar minha cabeça por 6 à 8 horas, mas ainda me restarão 18 à 16 horas, que tirando a hora em que durmo, faz com que me restem cerca de 10 à 12 horas, divididos entre tudo que eu me martirizo, preciso, quero, tento, como essa faculdade, ser um pouco menos ignorante e tudo isso se encaixa nas minhas tentativas frustradas de preencher algo que me diz que não vou ser nada na vida, que não sirvo pra nada, e deixa o tal vazio, que me consome bastante. E aquela coisa da diversão? Sinceramente? Não me preenche, isso acontece há tempos, me animo por 2 minutos à sair, e logo desisto. Ok, acabo saindo, tentando esquecer tudo, aproveitar coisas que eu gosto, mas depois me sobra mais vazio, e arrependimento por ter gasto dinheiro em algo que não me satisfez de verdade. Tenho medo, de que essa situação piore, de que eu me sinta cada vez mais distante, inútil, inconstante, louca, e claro.... v a z i a.

Eterno exagerado

"Vida louca, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve. Vida louca vida, vida imensa, ninguém vai nos perdoar, nosso crime não compensa."
It's raining on my moon. Sad, but true.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Quantas vezes eu já ouvi que tudo que acontece na minha vida é culpa minha? Que sou eu quem escolhe qual caminho percorrer, e tenho que ter capacidade o suficiente de arcar com as consequências? Quantas vezes eu já ouvi que sou jovem demais, que tenho uma vida inteira pela frente, que não posso me permitir ficar em tal estado, ou que não é justo eu estar assim. Mais vezes ainda ouvi que eu tenho tudo que eu preciso, nunca me deixaram faltar nada, que sou rodeada de pessoas que me amam e se preocupam comigo. Cá entre nós? Estão todos tão certos, e eu ouço com atenção, eu concordo com sinceridade. Juro que penso nisso cada vez que me encontro nessa fase de isolamento, que por sinal nunca passa definitivamente. Mas infelizmente não sou só eu. Digo, será que cada pessoa que me aconselha acredita que se eu pudesse escolher eu optaria pelo pior? Por me deixar pra baixo? Eu não gosto disso, eu não quero estar mal, não quero tratar as pessoas ao meu redor com grosserias ou indiferença. Quero ter paciência, quero conseguir simplesmente deixar as coisas ruins que me aconteceram no lugar ao qual elas pertencem, lá no passado. Só que não é tão fácil, não tem sido na realidade. Sinto falta de coisas que nunca imaginei, eu imagino coisas que soariam tão absurdas se eu resolvesse compartilhar com alguém que a maioria das vezes eu me sinto perdida, e sozinha.

sábado, 7 de abril de 2012

Dizem que os melhores textos são escritos nos ápices dos sentimentos, sejam eles bons ou ruins. Mas ninguém nunca me disse sobre os textos escritos no ápice do vazio, no ápice da falta de sentimentos relevantes.
É a facilidade com que esquecemos uns aos outros que me deixa completamente desacreditada. Hoje alguém diz que te ama, mas o que te garante que amanhã já não haverá alguém melhor pra ela estar amando? Falo isso independente de idade e até por experiência própria. Confesso já ter "amado" hoje pra amanhã pensar bem e ver que o tal amor era só amizade, nada além. Mesmo tendo consciência de que o que hoje chamamos de amor também é conhecido como 'hormônios', pude perceber o quanto magoei pessoas sem necessidade - E o pior, pessoas que se importavam comigo - Pelo simples fato de estar perdida, ansiando por qualquer tipo de sentimento que pudesse tampar o buraco que há tempos eu insistia em manter aberto. Felizmente cada dia é um aprendizado, por mais duro que ele seja, consegui entender algumas coisas; A gente não pode amar e ‘desamar’ como se o sentimento fosse controlado por um interruptor. A gente não pode amar simplesmente porque deu tempo, porque era o que tinha naquele momento. Amar, se envolver, estar junto, compartilhando cada fase nova de nossas vidas, vai muito além da conveniência do momento. Tudo isso requer cuidado, respeito, carinho, paciência e outras coisas que palavras nunca conseguirão explicar. E tudo isso independe de idade, depende de caráter e consciência, porque todo mundo tem sentimentos e todo mundo precisa de alguém. "É impossível viver só sorrindo."